
A Prefeitura de João Pessoa notificou a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) após a identificação de sinais de poluição em uma galeria pluvial na orla da praia de Tambaú. A água escura e com odor forte, detectada na manhã de segunda-feira (5), motivou medidas para correção imediata do vazamento de esgoto. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) exige a manutenção dos poços de visita para impedir novos descartes irregulares na região.
Segundo a Semam, a notificação foi encaminhada para que a Cagepa realize a manutenção imediata dos poços de visita, com o objetivo de impedir o descarte de resíduos líquidos ou gasosos nas vias públicas da cidade. A secretaria também informou o derramamento de esgoto em vários pontos da orla marítima e o rompimento de uma rede coletora no bairro dos Bancários.
Em resposta à notificação, a Cagepa afirmou que o sistema de esgoto sob sua responsabilidade está funcionando normalmente. A companhia esclareceu que foi registrado um episódio pontual de extravasamento em um poço de visita no dia 30 de dezembro, mas em área diferente de onde foi observada a poluição em Tambaú, e que esse problema foi resolvido.
A Companhia destacou que o escurecimento da água na orla é um fenômeno complexo, envolvendo diversos fatores, incluindo ligações clandestinas de esgoto em galerias pluviais. A Cagepa também reforçou que a limpeza e manutenção de galerias, canais e bocas de lobo são responsabilidades municipais, enquanto a coleta e tratamento do esgoto sanitário competem à companhia. O órgão colocou-se à disposição para colaborar com a Prefeitura, órgãos ambientais e demais entidades.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) suspendeu o recesso judiciário para acompanhar o caso de poluição na orla de João Pessoa. A promotora Cláudia Cabral informou que o MP se reunirá com a Prefeitura e a Cagepa, nesta quinta-feira (8), cobrando fiscalização efetiva e realizando nova inspeção com peritos do órgão.
Cláudia também atualizou que denúncias anteriores sobre esgoto irregular em praias da cidade, feitas em 2025, continuam sob investigação, com notificações e autuações em andamento. Segundo a promotora, o MP avançará para a fase criminal, a fim de responsabilizar eventuais envolvidos.