
Um produtor capixaba de chocolates em Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, aposta em sabores como jaca, kiwi, manga e jabuticaba para os ovos de Páscoa. Marcos Rediguieri, que também é produtor rural, desenvolveu receitas autorais usando frutas da Mata Atlântica e de sua propriedade para diversificar o produto diante do aumento dos preços do chocolate.
A inovação acontece em meio a um cenário complexo para o setor cacaueiro. Embora o preço do cacau tenha caído cerca de 30% em 2024, os valores do chocolate para os consumidores continuam altos devido a contratos futuros firmados pela indústria, que influenciam os custos atualmente repassados no mercado.
A propriedade de Marcos Rediguieri produz cerca de 1,5 tonelada de cacau fino ao ano e transforma essa matéria-prima em aproximadamente 3 toneladas de chocolate artesanal. O cultivo começou em 2012 com a variedade Parazinho, que depois foi substituída por espécies mais resistentes a pragas e mais produtivas.
Para aumentar a durabilidade das frutas utilizadas no chocolate, o produtor investiu em um equipamento desidratador. Ele destaca que a jaca tem sido bastante procurada, especialmente nas combinações com chocolate branco. Com as novidades, a expectativa é aumentar as vendas em até 15% nesta Páscoa.
A quebra na produção global de cacau em 2024, influenciada pela crise climática, provocou redução na oferta de sementes, elevando os preços da matéria-prima. Em fevereiro de 2025, o valor da saca de cacau chegou a R$ 3,5 mil, mas atualmente está abaixo de R$ 1 mil. Apesar disso, os chocolates que chegam agora ao mercado foram produzidos com base em insumos adquiridos anteriormente, o que mantém os preços elevados ao consumidor.
Segundo Maíra Chagas Welerson, presidente do Sindicato da Indústria de Produtores de Cacau e Balas, Doces e Conservas Alimentícias do Espírito Santo (Sindicacau), a indústria trabalha com contratos futuros, o que faz com que os ajustes de preço não sejam imediatos para a Páscoa.
Assim, as receitas diferenciadas com frutas trazem uma alternativa para driblar a alta do chocolate tradicional, valorizando produtos locais e possibilitando opções distintas para o consumidor neste período.