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Ser idiota não pode ser uma opção
18/03/2023 / 15:00
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*Por Sérgio Aires

Você sabe qual é o conceito de idiota? Popularmente, seria o indivíduo cujas ações e reações são lentas ou suas decisões são irracionais, às vezes até colocando em risco sua vida e a dos outros. O conceito dessa palavra, “idiota”, vem do grego e deriva da expressão idiótes, que significa aquele que vive somente a vida privada, que recusa a política. Partindo dessa definição, podemos entender que esse comportamento, na verdade, é mais comum do que se imagina. Esse estilo de vida é acompanhado da atitude de viver fechado dentro de si, interessando-se apenas pelo âmbito pessoal. Você com certeza conhece alguém que diz: “Não me meto em política.”

Mas o fato é que a humanidade se expressa, se organiza, vota e tem a orientação sexual do seu agrado. E isso tudo é política. Afinal, política é convivência. Inclusive, há uma convergência de conceituação entre a política e a democracia. Os teóricos destacam que ambas passam pelo diálogo, pela conversa. Além disso, daqui a um tempo, é possível predominar a ideia de que não há política sem democracia. E aí a expressão ‘política ditatorial’, que às vezes usamos, será vista como uma contradição.

Mas agora eu tenho uma pergunta pra você: o que é ser livre?

Cuidar do próprio nariz não significa ter liberdade, pois é livre somente quem se envolve na vida pública, na vida coletiva. Observando a humanidade, a gente vai entender que toda a sociedade exigia de seus membros conformidades. Como assim conformidades? Pensamentos únicos, sejam com relação à religião, ou até mesmo à alimentação. Já nos dias de hoje, a gente admite uma diversidade fabulosa. É possível jantar num restaurante indiano sem ser hinduísta ou ir ao restaurante italiano sem ser católico-romano.

Mas eu sinto que a gente pode explorar ainda mais a temática da liberdade.

Imagine o caso de um fumante que quer fumar em público. Até onde isso é liberdade? Hoje em dia, isso é proibido, mas nem sempre foi assim. A proibição, nesse caso, é para evitar que não fumantes sejam constrangidos pelos fumantes. Quer ter a liberdade de fazer mal a si? Tudo bem, você é livre para isso, desde que não estenda esse mal para a vida de outras pessoas. O fumante ainda poderia alegar que é livre para fazer o que bem deseja. Mas será que é mesmo? Se a gente for filosofar bem, vamos entender que ele possivelmente começou a fumar pela propaganda na televisão, no cinema, ou até por causa de um amigo. Então será que somos mesmo 100% livres para decidir por nossa própria conta? Dessa forma, a política é necessária. Pois seria uma maneira de lançarmos luz sobre essas teias invisíveis que nos dominam.

Já dissemos que viver é conviver. Afinal, “a vida humana é um condomínio”. Mas tem quem pense o contrário. Já viu aqueles carros que dizem: “Como estou dirigindo?”. Pois é, esses dias vi um carro que tinha o seguinte complemento: “Como estou dirigindo? Mal? Dane-se, o carro é meu.” Esse é o clássico estilo de vida que pensa em ser livre para fazer o que bem entender, sem pensar socialmente. Ou seja, esse cara é um idiota, no sentido grego da expressão…

Finalizo com uma citação do compositor Igor Stravinsky, que disse que: “A minha liberdade consiste, assim, na possibilidade de me mover dentro dos estreitos limites que a mim próprio fixei para cada um dos meus empreendimentos.

Até a próxima e siga-me nas redes sociais:
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Sergio Aires Filho é formado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda, UNIESP) e em Música (Flauta Transversal, UFPB). Possui mestrado em Educação Musical e pós-graduação em Musicoterapia. É doutorando em Educação Musical pela UFPB e é o atual presidente da Associação de Musicoterapia da Paraíba.