
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação do Conselho de Paz de Gaza, como parte da segunda fase do acordo de paz estabelecido entre Israel e o grupo Hamas. O objetivo do conselho é supervisionar um governo de transição na Faixa de Gaza, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, responsável pela administração provisória. A proposta prevê a Faixa de Gaza como zona livre de grupos armados.
De acordo com a Casa Branca, o conselho terá um papel consultivo e assessorará o comitê responsável pela gestão provisória da região, que já iniciou seus trabalhos no Cairo. O órgão deverá apoiar a governança eficaz e garantir a prestação de serviços que promovam paz e estabilidade em Gaza, conforme comunicado oficial.
Donald Trump será o presidente inaugural do conselho, com amplos poderes para votar, convidar membros e revogar participações. O grupo fundador conta com sete membros, incluindo o secretário de Estado americano Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Jared Kushner. Cada Estado-membro terá mandato de três anos, com possibilidade de renovação. Estados que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão poderão permanecer como membros fixos.
Além dos membros fundadores, Trump convidou diversos líderes mundiais para integrar o conselho, entre eles o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não respondeu oficialmente ao convite. Outras autoridades convidadas são Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan e Abdel Fattah al-Sisi. O presidente argentino Javier Milei aceitou a participação.
O Conselho de Paz de Gaza recebeu críticas de diplomatas, analistas e autoridades diplomáticas europeias. Fontes consultadas pela Reuters demonstraram preocupação de que o conselho interfira nas funções da ONU, citando o documento do estatuto que sugere a necessidade de uma organização mais ágil que substitua abordagens tradicionais. Marcelo Lins, comentarista do programa GloboNews Internacional, expressou ceticismo sobre a efetividade do conselho e questionou sua concepção.
O convite a Lula caracteriza-se como um desafio diplomático, dada a posição do presidente brasileiro, que defende a criação de um Estado palestino e tem criticado operações israelenses em Gaza. A participação no conselho poderá gerar questionamentos sobre coerência política. Além disso, até o momento, não está claro se os palestinos terão representação no conselho, o que gera dúvidas sobre a legitimidade e o papel do órgão frente aos interesses do povo de Gaza.