Turismo em Cuba cai com crise energética e bloqueio dos EUA
31/03/2026 / 08:15
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Foto: Norlys Perez/Reuters

O turismo em Cuba enfrenta um forte declínio agravado pela crise energética e pelo bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos. Em seis anos, a entrada de visitantes na ilha caribenha caiu cerca de 70%, resultando em impactos diretos na economia local.

Desde a imposição do bloqueio, o fornecimento de combustíveis ficou restrito, prejudicando o setor turístico, que é um dos pilares econômicos do país. Em 2025, Cuba recebeu apenas 1,8 milhão de turistas, número bem inferior ao registrado em anos anteriores. A escassez de combustível afetou voos e serviços, levando companhias aéreas como Air France, Air Canada e Air Transat a suspenderem rotas para o país. Em 29 de março de 2026, a Air France anunciou oficialmente a suspensão de suas operações para Cuba.

No meio da crise, a Rússia enviou um petroleiro com 730 mil barris de petróleo para Cuba. Esta ação ocorre após negociações entre Moscou e Washington, e foi saudada pelo Kremlin como uma demonstração de apoio à ilha comunista. O tanqueiro Anatoly Kolodkin chegou ao porto de Matanzas, na costa cubana. Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, afirmou ser um dever ajudar Cuba a superar as dificuldades energéticas. Em contrapartida, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em 29 de março que o envio de petróleo pela Rússia não alteraria a situação econômica cubana.

Efeito do declínio turístico nas ruas de Havana

A diminuição do fluxo de visitantes é visível na capital Havana, especialmente em pontos turísticos como a Praça das Armas, onde grupos de turistas tornaram-se raridade. Um casal francês, Corinne e Patrick, que visitou Cuba em março de 2026, relatou que a crise atingiu o setor hoteleiro, com vários estabelecimentos fechados por falta de recursos.

Moradores locais, como Daniela, vendedora de souvenirs de 20 anos, explicam que a ausência de turistas reduz o ingresso de divisas, limitando a compra de combustíveis e agravando o ciclo de crise. Daniela abandonou os estudos de medicina para trabalhar na venda de produtos, mas enfrenta a queda progressiva nas vendas.

O impacto da crise energética reflete o desafio do país em manter sua principal atividade econômica diante das restrições externas e da escassez interna de recursos.