União Europeia recomenda menos viagens aéreas e mais home office
02/04/2026 / 08:00
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Foto: REUTERS/Heiko Becker

A União Europeia (UE) recomendou aos seus países-membros a adoção de medidas para reduzir o consumo de energia, incluindo o incentivo ao trabalho remoto e a diminuição das viagens aéreas. A orientação foi feita pelo comissário europeu para energia, Dan Jorgensen, em resposta à crise energética causada pela guerra no Irã, que tem pressionado o mercado global de petróleo e gás.

Em carta enviada aos 27 membros da UE, Jorgensen pediu a implementação de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE). O documento propõe ações como o incentivo ao home office, car sharing, uso do transporte público, redução do limite de velocidade em rodovias, substituição do gás de cozinha por energia elétrica e a redução de viagens aéreas. Essas medidas visam enfrentar a escassez global diária de 11 milhões de barris de petróleo e mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito, provocada pela guerra no Irã.

O plano da AIE foi originalmente criado em 2022, no início da guerra na Ucrânia, que também gerou interrupções no fornecimento de energia. Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços do gás e do petróleo na UE subiram cerca de 70% e 60%, respectivamente, aumentando os custos de importação em 14 bilhões de euros em apenas um mês.

Jorgensen destacou que “a crise demonstra que a Europa enfrenta uma vulnerabilidade fundamental a choques energéticos externos, ligada à dependência de combustíveis fósseis importados”. Até o momento, os países do bloco ainda não adotaram medidas para reduzir a demanda de forma significativa, diferentemente das ações tomadas durante as crises do petróleo na década de 1970.

O comissário também recomendou o adiamento da manutenção de refinarias para preservar a capacidade produtiva e a preparação para o armazenamento de gás para o próximo inverno. Ele alertou que o setor de transportes europeu enfrenta riscos de escassez devido à dependência do Golfo Pérsico para mais de 40% das importações de querosene de aviação e diesel.

Na véspera de uma reunião virtual entre ministros da Energia da UE, Jorgensen afirmou que “a segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida, mas é necessário estar preparado para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia”. Ele reforçou a necessidade de ação conjunta para proteger cidadãos e empresas.

O chefe da AIE, Fatih Birol, alertou que a perda de petróleo prevista para abril será o dobro da de março, com impacto significativo na Europa, especialmente pela escassez de querosene de aviação e diesel. Apesar da liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas pela AIE, os riscos persistem.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, comparou o potencial impacto da guerra no Irã com os efeitos da pandemia de covid-19 de 2020-2021, afirmando que “se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais”.

Essas alertas ressaltam a pressão atual sobre os mercados e a necessidade de medidas para enfrentar a instabilidade energética na Europa.