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Uso precoce de celular aumenta risco de depressão, obesidade e distúrbios do sono, aponta estudo
18/02/2026 / 16:37
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Pesquisa publicada na Pediatrics indica que quanto mais cedo a criança ganha celular, maiores são os riscos à saúde física e mental

Quanto mais cedo a criança passa a usar smartphone, maiores são os riscos à saúde física e mental na adolescência. É o que indica um estudo publicado em dezembro na revista científica Pediatrics, que analisou dados de mais de 10 mil jovens acompanhados por até seis anos.

De acordo com a pesquisa, crianças de 12 anos que já possuíam smartphone apresentaram 30% mais risco de sintomas depressivos, 40% mais risco de obesidade e 60% mais probabilidade de distúrbios do sono, como dormir menos do que o recomendado, em comparação com aquelas que ainda não tinham o aparelho.

A idade mediana de aquisição do primeiro celular foi de 11 anos. Aos 12, 64% dos participantes já tinham smartphone; aos 14, o percentual chegou a 89%.

Embora o estudo não comprove relação direta de causa e efeito, os pesquisadores apontam uma associação consistente entre a introdução precoce do aparelho e os problemas observados. Ou seja, não é possível afirmar que o smartphone cause depressão ou obesidade, mas há indícios de que ele contribua para o aumento dos riscos.

A pediatra Quíssila Neiva Batista, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, destaca que o diferencial da pesquisa foi analisar não apenas o tempo de tela, mas a idade em que o celular entrou na rotina da criança. “Quando o celular entra na vida da criança importa tanto ou até mais do que o tempo de uso”, afirma.

Segundo a especialista, o smartphone pode funcionar como um “amplificador” de comportamentos prejudiciais, estimulando o sedentarismo, a privação de sono e a exposição a conteúdos intensos antes que haja maturidade emocional suficiente para lidar com eles.

Idade faz diferença

Entre os 8 e 12 anos, a criança passa por uma fase decisiva de consolidação de hábitos de sono, alimentação, prática de atividades físicas e autorregulação emocional. Também é um período importante para o desenvolvimento do córtex pré-frontal, área do cérebro ligada ao controle de impulsos e tomada de decisões.

A exposição precoce a estímulos constantes — como notificações, redes sociais e jogos — pode interferir nesse processo. O estudo mostrou que, mesmo quando o uso não era considerado excessivo, o tempo médio de telas entre 8 e 12 anos já ultrapassava cinco horas por dia.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda limites diários de tela conforme a idade:
▪ 2 a 5 anos: até 1 hora por dia
▪ 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas
▪ 11 a 18 anos: até 2 ou 3 horas

A entidade orienta ainda que o uso seja sempre supervisionado por um adulto e que telas não estejam presentes no quarto durante a noite.

Especialistas ressaltam que o celular não deve ser tratado como etapa obrigatória da infância. Diferentemente da televisão ou do tablet, o smartphone é portátil, individual e permite acesso constante à internet, o que amplia o potencial de impacto.

Entre as recomendações estão estabelecer horários definidos para uso, evitar telas antes de dormir, incentivar atividades físicas e priorizar interações presenciais. Para crianças menores, a orientação é adiar ao máximo a introdução do smartphone com acesso irrestrito à internet.

O debate sobre o uso de telas na infância ganha força à medida que estudos reforçam que, mais do que o tempo de exposição, a idade em que o celular passa a fazer parte da rotina pode ser decisiva para a saúde no longo prazo.

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