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Revolução: Etanol é alternativa ao carro elétrico convencional 

A tecnologia da célula de combustível abastecida com etanol já é utilizada há muito tempo em estacionários, como geradores de energia elétrica. O desafio agora está sendo adaptá-la para ser usada em veículos comerciais. 

Essa tecnologia, genuinamente brasileira, está sendo aprimorada para se obter hidrogênio dentro do motor do veículo e gerar energia elétrica capaz de movimentá-lo com autonomia sem uma bateria de lítio.

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O etanol é um biocombustível renovável, sustentável e limpo. Essa tecnologia, genuinamente brasileira, está sendo aprimorada para se obter hidrogênio dentro do motor do veículo e gerar energia elétrica capaz de movimentá-lo com autonomia sem uma bateria de lítio. Isso é possível por meio da utilização de Célula de Combustível por Óxido Sólido (SOFC), que funciona à base de etanol.

A tecnologia da célula de combustível abastecida com etanol já é utilizada há muito tempo em estacionários, como geradores de energia elétrica. O desafio agora está sendo adaptá-la para ser usada em veículos comerciais, como caminhões e carros de passeio.

A célula de combustível abastecida com etanol é uma alternativa ao carro elétrico convencional (que usa um pacote de baterias extremamente caras e produzidas com metais não renováveis encontrados em poucos países) e é mais viável em relação à tecnologia da Membrana de Troca de Prótons (PEM), que é alimentada por hidrogênio super puro.

A tecnologia PEM apresenta desvantagens. Para o abastecimento dos carros com célula PEM, ainda seria necessário a criação de toda uma rede de postos de abastecimento, o que não seria preciso para a tecnologia SOFC, pois no Brasil já existe uma ampla rede de abastecimento do etanol. Além disso, a forma gasosa do hidrogênio, utilizada para o abastecimento dos veículos, é altamente inflamável, o que requer mais cuidados para o seu translado e manuseio nos postos de combustível. Fora os caríssimos tanques de tungstênio de alta pressão que teriam que ser utilizados para seu armazenamento.

Com as células de combustível abastecidas com etanol, a tecnologia fica mais segura e comercial. “O etanol é uma excelente forma de transporte do hidrogênio porque não exige altas pressões, além de apresentar grande densidade energética. O fato de já existir distribuição do etanol no Brasil todo é uma vantagem competitiva a nosso favor para o desenvolvimento da mobilidade sem emissões poluentes”, explica o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool na Paraíba (Sindalcool-PB), Edmundo Barbosa

A fabricante japonesa Nissan trabalha a tecnologia da célula de combustível abastecida com etanol. Em 2016, a empresa desenvolveu um protótipo de um mini forgão SOFC. As pesquisas da Nissan têm avançado e os resultados são muito satisfatórios. Um veículo com a tecnologia SOFC pode ter autonomia de 600 km com 30 litros de etanol.

A célula de combustível abastecida com etanol é uma alternativa ao carro elétrico convencional (que usa um pacote de baterias extremamente caras e produzidas com metais não renováveis encontrados em poucos países)

Para desenvolver a tecnologia SOFC, a Nissan firmou uma parceria com o Laboratório de Genômica e Bioenergia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP. O professor do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador do Laboratório de Genômica e Bioenergia, Gonçalo Pereira, destaca que o Brasil deve assumir esse desafio tecnológico.

“O Brasil, como nação, tem que assumir esse desafio se quiser se tornar um país desenvolvido. Precisamos desenvolver esforços junto com os produtores de etanol, com os fabricantes de veículos e as universidades brasileiras para que a gente consiga, no mais curto espaço de tempo possível, continuar o desenvolvimento da tecnologia SOFC que a Nissan tem trabalhado”, disse Gonçalo.

O pesquisador também pontuou como essa tecnologia da célula de combustível abastecida com etanol seria um avanço em relação ao carro elétrico convencional. “Com a tecnologia SOFC, não é preciso bateria. Podemos tornar o etanol a bateria do carro, pois o etanol é uma espécie de “cacho de hidrogênio”, em que os hidrogênios estão conectados em uma cadeia carbônica pequena, de dois carbonos, mas essa ligação tem uma coisa maravilhosa que faz com que ele seja líquido, então fica mais fácil de armazenar e transportar”, afirmou.

De olho num futuro que prega a descarbonização das economias mundiais, o Brasil pode despontar com um exportador da tecnologia da célula de combustível abastecida com etanol para uso veicular se tiver financiamento e apoio necessário.

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