
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na noite de domingo (8), para tratar da possível visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, em Washington. A reunião entre Lula e o presidente Donald Trump está planejada, mas ainda não tem data definida devido à dificuldade de alinhamento das agendas em março.
Além da viagem presidencial, Vieira abordou durante a ligação uma pauta sensível para o governo brasileiro: a intenção de evitar que os Estados Unidos classifiquem facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras. Essa possibilidade gera preocupação entre diplomatas por receio de que a designação sirva de base para operações militares na região.
O debate sobre a categoria dessas facções não é recente. Durante o governo Trump, grupos criminosos latino-americanos, como o venezuelano Tren de Aragua e diversos cartéis mexicanos, já foram incluídos na lista de organizações terroristas. Essa classificação também teve papel na justificativa das ações contra a Venezuela, incluindo a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro.
Fontes próximas ao governo americano no Brasil confirmam que a iniciativa para incluir as facções brasileiras na lista de organizações terroristas é liderada por Marco Rubio e está em estágio avançado. A proposta deve ser encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos para aprovação nos próximos dias.