
O Vietnã elegeu To Lam, secretário-geral do Partido Comunista, como presidente do país na terça-feira, 7, consolidando seu controle sobre o partido e o Estado em um mandato de cinco anos. A escolha representa uma mudança na tradição vietnamita, que costumava distribuir os principais cargos de liderança entre diferentes pessoas, e se assemelha à estrutura de poder da China e do Laos.
Historicamente, o cargo de presidente do Vietnã costumava ser ocupado separadamente do chefe do Partido Comunista, refletindo uma divisão de poderes no sistema político do país. Desde a década de 1980, o Vietnã tem adotado reformas para abrir sua economia de base estatal ao mercado internacional, processo acompanhado de perto por especialistas em políticas asiáticas. A concentração de poder agora conferida a To Lam oferece a ele maior espaço para agir e implementar políticas, mas também levanta preocupações sobre o avanço rápido da centralização sem correspondentes reformas institucionais.
To Lam, de 69 anos, já havia exercido ambos os cargos brevemente em 2024 após a morte de seu antecessor. Em seu discurso à Assembleia Nacional no dia da posse, ele destacou a manutenção da paz e da estabilidade como prioridades essenciais para um crescimento sustentável do país. “Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas para que todos possam compartilhar os benefícios do desenvolvimento”, afirmou.
Carreira e desafios
Um policial de carreira que ocupou posições estratégicas na área de segurança pública, To Lam supervisionou uma ampla campanha anticorrupção antes de sua ascensão como líder máximo do Vietnã. Como chefe do Partido Comunista, tem conduzido a maior reforma burocrática do país desde os anos 1980, incluindo corte de cargos, fusão de ministérios, redesenho das fronteiras provinciais e investimentos em infraestrutura.
Além disso, Lam busca impulsionar o desempenho econômico e o crescimento do setor privado, visando reduzir a dependência do modelo baseado na mão de obra e exportações. O Vietnã projeta uma meta agressiva de crescimento anual em torno de 10% para os próximos cinco anos.
Entretanto, a economia vietnamita enfrenta desafios imediatos, como os impactos globais do choque energético ocasionado pela guerra no Irã. Nos primeiros três meses do ano, o país apresentou expansão de 7,8%, acima do crescimento de 7,1% em 2025, porém abaixo da meta de 9,1%.
Além dos obstáculos econômicos, To Lam precisa conquistar apoio político para implementar reformas complexas e manter a política externa pragmática do Vietnã. O país equilibra interesses entre os Estados Unidos, pressionando por redução do superávit comercial, e a China, parceira comercial e rival na disputa pelo Mar da China Meridional.
Especialistas destacam que o Vietnã se beneficia de uma estratégia de equilíbrio na política externa, mas admitem que sustentar essa posição será mais difícil em um cenário global turbulento.