
A vitamina B12 é essencial para o corpo humano, participando da produção de glóbulos vermelhos, do funcionamento do sistema nervoso e da replicação correta do DNA nas células. Encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como carne, ovos e leite, a vitamina é fundamental para a manutenção da saúde.
Nos últimos anos, pesquisas têm investigado a relação entre os níveis elevados de vitamina B12 no organismo e o risco de câncer. Embora a deficiência seja um problema consolidado, há estudos que indicam uma associação em formato de U entre a ingestão da vitamina e o câncer, ou seja, tanto níveis baixos quanto excessivos de B12 podem estar relacionados ao aumento do risco.
Um estudo realizado em 2025 no Vietnã apontou essa relação, mas ressaltou que a pesquisa não comprova uma ligação direta de causa e efeito. Ainda, a suplementação prolongada em doses elevadas não mostrou proteção clara contra o desenvolvimento de câncer em geral. Algumas análises observacionais sugeriram um leve aumento no risco de câncer de pulmão entre fumantes que fazem uso prolongado de altas doses de vitaminas B6 e B12, mas esses resultados não confirmam que a suplementação seja causadora da doença.
Pacientes com câncer frequentemente apresentam níveis elevados de vitamina B12 no sangue. Pesquisas recentes, incluindo estudos de 2022 e 2024, indicam que esse aumento é um “epifenômeno”, isto é, uma consequência da presença da doença, e não uma causa. Mecanismos envolvidos incluem a liberação de vitamina B12 pelo fígado afetado pelos tumores e o aumento de proteínas que se ligam à vitamina no sangue, elevando os resultados dos exames.
Além disso, níveis persistentes e elevados de vitamina B12 podem servir como marcadores para identificar a progressão do câncer. Um estudo de 2026 revelou que pacientes com câncer de cólon e altos níveis sanguíneos da vitamina apresentaram menor tempo de sobrevivência comparados a pacientes com níveis normais. Situações semelhantes foram observadas em casos de câncer de boca e em pacientes submetidos à imunoterapia.
Para a maioria da população, a preocupação está na deficiência da vitamina, já que o consumo excessivo apenas pela alimentação é raro. A suplementação em altas doses deve ser feita somente sob prescrição médica, especialmente para grupos como veganos, idosos e pessoas com condições que prejudicam a absorção do nutriente.
Especialistas alertam que a estratégia correta é buscar um equilíbrio na ingestão da vitamina B12, evitando tanto a deficiência quanto o consumo exagerado. O papel da vitamina é garantir a quantidade adequada para o funcionamento do organismo, e não a utilização de doses elevadas para prevenção do câncer.