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‘Vivi para contar’: ‘Os piores da minha vida’, diz grávida que lutou com pitbull para salvar a filha

Menina, de 8 anos, foi atacada por cão da família dentro de casa e ficou 11 dias internada em UTI, após cirurgia

Os cachorros eram meus desde filhotinhos. Nunca tiveram comportamento agressivo. Sempre convivi com a raça e nunca tive problema. O macho tem 3 anos, e a fêmea, 1 ano e 6 meses, cada um devia ter uns 40 e poucos quilos. A minha filha Maria Eduarda cresceu com eles. Aqui em casa o meu quintal não tinha corrente, eles ficavam soltos. A minha filha brincava com eles o dia inteiro.

A gente acha que o ataque aconteceu porque a fêmea estava no cio, e ele ficou com ciúme dela. A gente não prendeu os cães nesse período porque ela já tinha passado por quatro períodos assim e nada aconteceu. Nesse último, o macho ficou mais agitado.

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Eram seis e pouca da noite de sexta-feira, dia 24 de junho, quando a minha filha pediu para descer — nós moramos em um sobrado. Nisso, eu fui ao banheiro. De lá, ouvi os gritos dela. Saí correndo e quando eu fui ver, o pitbull macho estava mordendo a minha filha, que tem só 8 anos, é bem magrinha e pesa uns 27 quilos.

Enquanto o macho mordia, a fêmea latia, chorava em direção ao macho, e mordiscava parte da roupa da minha filha, os dedos da mão, como quem tenta puxá-la. Depois percebi que na ponta dos dedos da minha filha tinham marcas mais leves de mordida. Eu ainda não consegui entender, ele sempre foi muito obediente, não tinha por que ele fazer aquilo.

Quando eu desci, de imediato, eu já tentei tirar ele, gritei com ele muitas vezes, mas ele não a soltava por nada. Minha irmã e minha sobrinha tentavam bater, mas eles não sentem dor nesse momento. Nada adiantava. Quando eu vi que ele não respondia, entrei por baixo dele e dei um mata-leão. Eu senti que ele fez o som de engasgue e soltou minha filha. Na hora eu nem pensei no meu bebê e na minha barriga de nove meses.

Mordidas na barriga
Depois disso, a fêmea me deu algumas mordidas — eu acho que ela achou que eu estava machucando a minha filha — mas foram superficiais. Com isso, eu o soltei de novo, e ele voltou a atacar a Maria. Teve uma hora que eu deitei em cima dela e nisso, ele a soltou e começou a me atacar, me deu várias mordidas, mordeu a minha barriga. Foram oito no total. Precisei de pontos no braço.

Com a confusão, meu vizinho foi tentar ajudar. Ameaçou pular o muro da minha casa e o cachorro foi em direção dele. Ele pegou uma cavadeira dessas de obra e acertou a cabeça do cachorro, que tonteou. Eu peguei uma pá de obra e acertei a cabeça dele duas vezes. Na primeira, ele não fez nada; na segunda, ele chorou e finalmente largou a Maria. Na hora, eu gritei com ele: “Logan, para! Não pode!”. Então, ele obedeceu e se afastou. Não faço ideia de quanto tempo durou, mas deve ter sido coisa de uns cinco minutos. Os piores da minha vida.

A minha filha estava bem fraca, lavada de tanto sangue, com os músculos do pescoço todos à mostra. A gente correu para a UPA mais próxima e transferiram a gente direto para o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. A minha filha tinha perdido muito sangue. O pescoço estava muito exposto, muito lacerado, ela perdeu um dentinho permanente da frente. O cachorro também arrancou metade da orelha dela.

Assim que chegamos ao hospital, ela foi levada para a primeira cirurgia, para tentar salvar a vida dela. Só quando eu estava na sala de espera, foi que me dei conta de que eu não estava sentindo mais o bebê mexer. Minha irmã e meu vizinho me levaram para a maternidade.

Onze dias na UTI
Chegando lá, estava tudo certo. O médico disse que provavelmente eu não estava conseguindo sentir o bebê porque estava em estado de choque. Foi um alívio. Eu estou com 40 semanas.

Maria precisou de duas bolsas de sangue. Ela passou 11 dias na UTI e eu também, acompanhando boa parte do tempo. Depois, ela passou por procedimentos com um cirurgião plástico. Mesmo com dreno no pescoço, dreno no pulmão, acesso profundo na virilha, ela não reclamou em momento nenhum. A alta foi no dia 7.

Eu e meu marido decidimos nos desfazer dos cachorros. A fêmea foi para um sítio aqui perto de casa, e o macho foi adotado por um rapaz da região que se propôs a ficar com ele. Todos sabem do que aconteceu.

Eu não penso em ter mais cachorro nunca mais, muito menos pitbull. Eu fiquei boba que a minha filha não queria que eu desse os cachorros. Ela me pediu: “Mãe, por favor, não doa, são meus cachorros”.

Agora a sensação é de paz. Ela está bem, está em casa, comendo, brincando. Só com a cabecinha enfaixada e tendo que trocar os curativos três vezes por semana no hospital, mas bem. O nome da minha filha que vai nascer é Maia, uma bebê forte. Aguentou esse processo todo, noites dormindo na UTI. Agora é esperar ela chegar.

Informações de O Globo

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