Bioenergia coloca Paraíba entre os maiores produtores do país
11/05/2026 / 16:05
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Foto: Reprodução

A produção de bioenergia a partir do bagaço da cana-de-açúcar deixou de ser apenas um aproveitamento secundário das usinas e passou a ocupar posição estratégica na matriz energética e na economia da Paraíba. Atualmente, o estado ocupa o 9º lugar no ranking nacional de potência outorgada de biomassa oriunda da cana, ficando atrás de estados tradicionalmente fortes no setor sucroenergético.

No Nordeste, a Paraíba aparece logo após Pernambuco e Alagoas, que ocupam, respectivamente, a 7ª e a 6ª posições no país.

Energia limpa já representa mais de 4% da matriz elétrica estadual

De acordo com dados do Agência Nacional de Energia Elétrica, por meio do Sistema de Informações de Geração (SIGA), a Paraíba possui cerca de 102 megawatts de potência outorgada em bioeletricidade produzida a partir da cana-de-açúcar.

Esse volume corresponde a 4,15% da matriz elétrica estadual, tornando a biomassa da cana a quarta principal fonte de geração de energia no estado, atrás apenas da energia eólica, solar e das fontes fósseis.

Ao todo, são seis empreendimentos localizados em João Pessoa, Santa Rita, Mamanguape, Pedras de Fogo e Caaporã.

Segundo o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool na Paraíba, a energia gerada pelas usinas paraibanas é suficiente para abastecer aproximadamente 300 mil residências.

Venda de energia já rivaliza com açúcar e etanol

A engenheira eletricista Viviane Pedrosa, diretora da Voltec Soluções em Energia, afirma que a comercialização de energia já representa uma importante fonte de receita para as usinas.

“Hoje, as usinas que vendem energia no mercado livre têm uma receita equiparada aos produtos produzidos pela indústria, como o açúcar e o etanol”, destaca.

Segundo a especialista, o crescimento do setor se intensificou nos últimos três anos, impulsionado por investimentos em modernização de caldeiras, turbinas e geradores, que tornaram o processo mais eficiente.

Como funciona a geração de bioeletricidade

A energia é produzida a partir do bagaço da cana, resíduo que sobra após a fabricação de açúcar e etanol. Esse material é queimado em caldeiras para gerar vapor, que movimenta turbinas conectadas a geradores elétricos.

O processo aproveita um subproduto da indústria e praticamente não gera resíduos adicionais, tornando-se uma alternativa sustentável e economicamente vantajosa.

Desafios para expansão do setor

Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta limitações econômicas e estruturais. Para o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool na Paraíba, Edmundo Barbosa, a principal dificuldade não é tecnológica, mas financeira.

“O problema não é falta de capacidade de geração. É falta de condição econômica para investir e expandir”, afirma.

Outro desafio é a sazonalidade. Como a geração depende da moagem da cana, a produção ocorre principalmente entre agosto e março. Durante a entressafra, muitas usinas interrompem as atividades para manutenção.

Perspectiva de crescimento até 2030

Mesmo com esses obstáculos, o setor projeta expansão de cerca de 25% até 2030.

Para isso, representantes do segmento defendem mudanças no modelo de remuneração da bioeletricidade, criação de contratos de longo prazo e maior integração com políticas de descarbonização.

“A Paraíba tem uma oportunidade concreta de transformar o bagaço de cana, antes visto apenas como subproduto industrial, em um ativo energético estratégico”, conclui Edmundo Barbosa.