Estudo avalia uso da aspirina contra câncer colorretal
23/04/2026 / 08:30
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Foto: Reprodução

O uso da aspirina contra o câncer colorretal tem sido objeto de estudos clínicos nos últimos anos, apresentando resultados que indicam potencial para reduzir o risco da doença. O principal foco está em pessoas com a síndrome de Lynch, uma condição genética que eleva significativamente as chances de desenvolver câncer do intestino.

Historicamente, a aspirina, conhecida cientificamente como ácido acetilsalicílico, é utilizada desde os anos 1890 como analgésico e antipirético. Mais recentemente, suas propriedades preventivas contra doenças cardiovasculares passaram a ser reconhecidas, com recomendações para pacientes de risco. Em 1972, pesquisas indicaram que a aspirina poderia reduzir a disseminação de células tumorais em animais, um efeito que começou a ser explorado em humanos apenas nos últimos anos.

O estudo com pacientes portadores da síndrome de Lynch

Um estudo randomizado controlado, realizado pelo professor John Burn e sua equipe na Universidade de Newcastle, acompanhou 861 pacientes com síndrome de Lynch ao longo de 10 anos. Os resultados de 2020 mostraram que uma dose diária de 600 mg de aspirina durante pelo menos dois anos reduz pela metade o risco de câncer colorretal.

Posteriormente, estudos indicaram que doses menores, entre 75 e 100 mg diários, possuem eficácia similar, com menor incidência de efeitos colaterais. Desde 2020, autoridades médicas do Reino Unido recomendam que pacientes com essa síndrome iniciem o uso da aspirina em torno dos 20 anos, ou 35 anos nos casos menos graves.

Outros estudos e a aplicação clínica

Pesquisas na Suécia realizadas pela professora Anna Martling investigaram o efeito da aspirina em pacientes já diagnosticados com câncer colorretal que apresentam mutações genéticas específicas. Um estudo com quase 3.000 participantes revelou que o uso de 160 mg diários de aspirina após cirurgia reduziu em mais da metade o risco de recorrência do câncer.

Com base nesses resultados, desde janeiro de 2026, pacientes com câncer intestinal na Suécia são testados para essas mutações e, quando positivo, recebem aspirina em baixa dose como parte do tratamento.

Mecanismos de ação

A aspirina atua inibindo a enzima Cox-2, responsável pela produção de prostaglandinas que estimulam o crescimento descontrolado das células. Mais recentemente, estudos apontaram que o ácido acetilsalicílico pode também inibir o tromboxano A2, um fator que ajuda a formar coágulos e que pode proteger células cancerígenas da atuação do sistema imunológico, facilitando a metástase.

Considerações finais

Apesar dos avanços, especialistas alertam que o uso da aspirina para prevenção do câncer deve ser orientado por médicos, considerando os riscos de efeitos colaterais como sangramentos e úlceras. A eficácia da aspirina pode variar dependendo do tipo de câncer e do perfil genético do paciente. Atualmente, pesquisadoras como Ruth Langley conduzem estudos para avaliar a aplicação do medicamento em outros tipos de câncer, com resultados previstos para o próximo ano.

Pacientes com histórico familiar ou diagnosticados com a síndrome de Lynch devem consultar um profissional de saúde para avaliar a possibilidade de incluir a aspirina como parte da prevenção ou tratamento.