Fifa proíbe garrafas de água em estádios da Copa 2026
05/06/2026 / 07:15
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Foto: Reprodução

A Fifa proibiu a entrada de garrafas reutilizáveis de água nos estádios da Copa do Mundo 2026, marcada para começar em 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México. Essa decisão busca evitar riscos de segurança relacionados ao uso de objetos pelos torcedores durante as partidas.

Historicamente, a política permitia a entrada de garrafas plásticas vazias, transparentes e reutilizáveis com capacidade de até 1 litro. A mudança foi anunciada sete dias antes do início do torneio, com a justificativa de diminuir o risco de ferimentos causados por torcedores que podem atirar objetos durante os jogos. A Fifa também informou que a venda de água nos estádios manterá preços habituais para evitar abusos.

Críticas de especialistas e reação dos torcedores

Especialistas em calor e saúde têm criticado a proibição. O professor Ollie Jay, da Universidade de Sydney, afirmou que a medida aumenta o risco de problemas relacionados ao calor entre os torcedores. Em maio, 20 cientistas enviaram uma carta à Fifa classificando as medidas de segurança contra o calor para o torneio como inadequadas, dado que 14 das 16 cidades-sede devem registrar temperaturas perigosas.

Jay alertou que o público abrange crianças, idosos e pessoas com condições médicas que apresentam maior sensibilidade ao calor. Ele destacou que espectadores podem chegar aos jogos já desidratados devido ao trajeto até o estádio e que o ambiente pode ser quente, úmido e com pouca circulação de ar.

O grupo de torcedores ingleses Free Lions considerou a mudança “estranha e tardia” e expressou preocupação de que a decisão seja uma forma de arrecadação financeira. O grupo pediu que os torcedores possam levar suas próprias garrafas, principalmente diante das altas temperaturas previstas.

Medidas da Fifa e contexto adicional

A Fifa afirmou que trabalha com os comitês das cidades-sede para implementar medidas de mitigação do calor, como estações de nebulização, ventiladores, pontos de hidratação e tendas de resfriamento nos arredores dos estádios. Além disso, vai haver um intervalo de hidratação de três minutos em cada tempo para os jogadores.

Contudo, especialistas apontam que essas providências são insuficientes para proteger o público, especialmente diante do histórico recente da Copa de 2022, quando garrafas também foram proibidas. O cientista climático Theodore Keeping ressaltou que “permitir acesso justo e equitativo à hidratação é uma defesa básica contra os riscos do calor extremo”.

Críticas adicionais surgem sobre o impacto ambiental do evento e patrocínios relacionados a combustíveis fósseis. Andrew Simms, do New Weather Institute, alertou que dificultar a hidratação do público é uma falha grave diante dos desafios climáticos que a competição enfrenta.

Assim, a proibição das garrafas de água nos estádios levanta dúvidas quanto à segurança dos torcedores e evidencia tensões entre medidas de segurança, conforto do público e gestão do evento.