Gigantes de tecnologia investem em energia nuclear nos EUA
14/04/2026 / 08:30
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Foto: Divulgação/Energy Northwest

Gigantes de tecnologia estão investindo em energia nuclear para apoiar a expansão dos data centers, especialmente os voltados à inteligência artificial (IA). Empresas americanas desenvolvem pequenos reatores modulares (SMRs), que são reatores menores, mais avançados e escaláveis que as usinas nucleares tradicionais.

A energia usada por data centers de IA pode ser equivalente ao consumo de milhões de residências, o que aumenta a demanda por soluções energéticas estáveis e de longo prazo. Nos Estados Unidos, há discussões sobre restrições à construção de novos data centers, tornando o investimento em fontes alternativas, como os SMRs, ainda mais estratégico. O aumento no uso de eletricidade no país está previsto para crescer 1% em 2024 e 3% em 2025, impulsionado principalmente por essas instalações, segundo dados da Administração de Informação Energética (EIA).

Em janeiro, a Meta fechou acordos para financiar duas unidades nucleares da Terrapower, com capacidade total de até 690 megawatts, além de um projeto com a Oklo para criar um campus nuclear de 1,2 gigawatts. A Amazon firmou parceria com a X-energy para implantar pequenos reatores nucleares com potência total de 5 gigawatts até 2039. Já o Google anunciou um compromisso com a Kairos Power para colocar em operação seu primeiro SMR até 2030.

Embora nenhuma geradora de energia nuclear avançada nos EUA tenha iniciado a produção comercial, esses investimentos de grandes empresas de tecnologia trazem maior segurança para financiamentos. “Os acordos das big techs garantem a certeza de receita necessária para que bancos comerciais financiem a construção”, afirmou Shioly Dong, analista da BMI, à Reuters.

Pequenos reatores modulares apresentam vantagens como construção em etapas e prazos mais curtos, o que reduz os riscos e a exposição ao capital inicial. Tim Winter, gerente de portfólio da Gabelli Funds, ressalta que a disposição das empresas em assumir riscos determinará o ritmo do desenvolvimento dos projetos.

Segundo Bonita Chester, porta-voz da Oklo, a demanda por IA tem levado a contratos de longo prazo que viabilizam o avanço dos projetos, incluindo o fornecimento de combustível nuclear e a fase inicial da planta no estado de Ohio.

Investidores institucionais também estão demonstrando interesse crescente no setor de “nuclear avançado”, apesar dos desafios tecnológicos e riscos de construção. Tess Carter, do Rhodium Group, observou que bancos estão se mostrando mais dispostos a financiar o setor, um movimento considerado até então incomum.

Esse cenário destaca uma nova etapa para a energia nuclear, impulsionada pela necessidade de atender o crescimento dos data centers e da inteligência artificial nos Estados Unidos, com soluções que aliam inovação e segurança energética.