Haddad mantém defesa da ‘taxa das blusinhas’ em entrevista
01/06/2026 / 10:34
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Foto: Reprodução

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), reafirmou sua posição favorável à chamada taxa das blusinhas, um imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, criado em 2024 e revogado em ano eleitoral. Haddad declarou em entrevista à BBC News Brasil no dia 27/5 que não mudou de opinião sobre a medida, apesar do recuo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que considerou o imposto uma ação necessária para proteger a indústria nacional.

Contexto da taxa das blusinhas e reação política

A taxa foi implementada para equiparar a tributação entre lojas físicas e virtuais, segundo Haddad. Ele argumenta que “uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual”, posicionamento compartilhado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que indicou a preservação de empregos associados à medida. Além disso, os estados mantiveram a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre as mesmas compras internacionais, apontou Haddad, que criticou o fato da revogação ter ocorrido a pedido da Presidência da República, mesmo com governadores seguindo com a tributação estadual.

Na entrevista, Haddad também comentou a disputa eleitoral em São Paulo, destacando que enfrentará o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que lidera as intenções de voto. O petista criticou a gestão atual em áreas como finanças, educação e saneamento, mencionando a privatização da Sabesp e da Emae em 2024 como exemplos de problemas administrativos. O ex-ministro avaliou que a crise fiscal do estado e a falta de cooperação entre órgãos de segurança pública refletem a atual gestão.

Posições sobre segurança e política no Estado de São Paulo

Haddad adiantou que a segurança pública será prioridade em seu governo, com um plano focado no combate ao crime organizado por meio da cooperação entre órgãos federais e estaduais. Ele criticou medidas contrárias à integração desses órgãos e apontou o crescimento do PCC como consequência da falta de articulação e políticas eficazes.

Perspectivas eleitorais e sucessão no PT

Além da defesa da taxa das blusinhas, Haddad comentou a preparação eleitoral do PT para 2026, quando possivelmente Luiz Inácio Lula da Silva disputará sua última eleição presidencial. O ex-ministro falou sobre a possibilidade de eleições internas no partido para escolher candidatos, ressaltando os benefícios que uma prévia poderia trazer para o debate político e a mobilização da militância. Sobre a formação de chapa para o governo de São Paulo, ele afirmou que a decisão sobre o vice será tomada até meados de junho.

Sobre a economia, Haddad comentou o cenário fiscal do país, atribuindo o déficit a taxas de juros elevadas e a fatores externos, como a guerra no Irã, e reiterou que o próximo governo encontrará finanças públicas em situação melhor do que a de gestões anteriores. Ele salientou que o PT busca ampliar o diálogo e atender novos segmentos sociais, como trabalhadores de plataformas digitais, apontando a necessidade de aprendizado e adaptação do partido diante das transformações no mercado de trabalho.