
O mercado financeiro elevou a estimativa de inflação para 2026 para 4,86%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central. Essa é a sétima semana consecutiva de alta nas projeções, reflexo principalmente da alta do preço do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, que tem impacto direto na inflação brasileira pelo aumento dos combustíveis.
O Boletim Focus é elaborado a partir de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras e traz também projeções para os anos seguintes. Para 2027, a estimativa passou de 3,99% para 4%, e para 2028, subiu de 3,60% para 3,61%. A previsão para 2029 segue estável em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o Banco Central busca manter a inflação em 3%, aceitando variações entre 1,50% e 4,50%. Índices acima desse limite preocupam o mercado e podem afetar o poder de compra da população, sobretudo a parcela que recebe salários mais baixos.
A inflação de março, divulgada pelo IBGE, já refletiu o impacto dos preços internacionais altos, registrando 0,88% no mês, acima das expectativas do mercado financeiro.
Apesar da alta nas projeções de inflação, o mercado manteve a expectativa de redução gradual da taxa de juros. A Selic está atualmente em 14,75% ao ano, após o primeiro corte em quase dois anos autorizado pelo Banco Central na semana passada. Para o final de 2026, a expectativa é que a taxa caia para 12,50% ao ano, chegando a 10,50% em 2027 e 10% em 2028.
As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também foram mantidas. Para 2026, a previsão segue em 1,85%, enquanto para 2027 permanece em 1,8%. O resultado oficial do PIB de 2024, divulgado pelo IBGE, mostrou alta de 2,3%.
Quanto à taxa de câmbio, a expectativa foi ligeiramente reduzida. Para o final deste ano, a projeção passou de R$ 5,40 para R$ 5,37 por dólar, e para o fechamento de 2027, de R$ 5,45 para R$ 5,40.
O mercado monitora atentamente os efeitos da guerra no Oriente Médio e as decisões do Banco Central para ajustar suas projeções econômicas nos próximos meses.