Recorde na maratona envolveu intestino treinado e alta ingestão de carboidratos
29/04/2026 / 19:06
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Foto: Reprodução

O recorde na maratona alcançado pelo queniano Sebastian Sawe, que completou a Maratona de Londres em 1h59min30s, envolveu mais do que a simples ingestão de pão e mel antes da prova. O feito histórico, que o tornou o primeiro a correr 42 km em menos de duas horas em uma prova oficial, contou com um planejamento avançado de nutrição, treinamento intestinal e tecnologia para maximizar a absorção de carboidratos.

Segundo especialistas, a ingestão elevada de carboidratos antes e durante a corrida foi decisiva para manter a glicose no sangue e retardar a fadiga. A legislação e recomendações científicas indicam que corredores de longa distância devem consumir entre 30 g e 90 g de carboidratos por hora, dependendo da duração da atividade. Sawe superou essa faixa, chegando a quase 100 g de carboidratos por hora em alguns momentos, graças a um intestino treinado para absorver altos volumes sem desconforto gastrointestinal.

Plano alimentar e suplementação

Nos dias anteriores, Sawe consumiu bebidas ricas em carboidratos para aumentar estoques de glicogênio nos músculos e no fígado, que podem variar de 400 g a 800 g em atletas de elite. Antes da prova, ingeriu bicarbonato e, durante o percurso, tomou géis energéticos, bebidas com cafeína e um hidrogel desenvolvido para facilitar a absorção, a cada 5 km. Essa reposição contínua é fundamental para evitar a quebra, uma queda brusca de energia causada por esgotamento do glicogênio, desidratação e fadiga neuromuscular.

Importância do intestino treinado e tecnologia

Especialistas destacam que a combinação de glicose e frutose — presente no pão e no mel — utiliza diferentes transportadores no intestino, ampliando a absorção de energia. No entanto, o diferencial do atleta foi o treinamento intestinal, que permite assimilar grandes quantidades de carboidratos durante a maratona sem desconforto. Além disso, Sawe utilizou um tênis ultraleve, com 97 gramas e placa de carbono, que contribui para a eficiência biomecânica e redução do gasto energético.

Outros fatores incluem características físicas que diminuem o consumo de energia e a típica economia de corrida dos corredores quenianos, que conseguem gastar até 20% menos energia por quilômetro. O controle antidoping rigoroso e testes frequentes também foram parte da preparação para a prova.

Conclusão

A refeição leve antes da largada foi apenas uma parte da estratégia. O sucesso decorreu de um conjunto integrado de nutrição planejada, estoques elevados de glicogênio, ingestão contínua de carboidratos, tecnologia para otimizar a absorção, suplementação estratégica, biomecânica eficiente e equipamento especializado. Sem esse conjunto, o tradicional pão e mel não seriam suficientes para alcançar um desempenho recorde.