25.1 C
João Pessoa
23.9 C
Campina Grande
25.5 C
Brasília

BRASIL-CORONAVÍRUS: Em um ano, Covid já matou mais brasileiros do que a Aids em quase quatro décadas

17/03/2021 15h33

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

Leia Também

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Em um ano de pandemia, a Covid-19 já matou mais gente do que o HIV em quase quatro décadas no Brasil. A letalidade foi superada nesta terça (16), quando as vítimas de coronavírus chegaram a 282.127. As mortes por Aids entre 1980 e 2019, no placar disponibilizado pelo Ministério da Saúde, são 281.156.
Ainda não há dados atualizados de 2020 e 2021 nesse balanço. De 2008 para cá, a média de vítimas da Aids tem sido relativamente estável. Em 2019, foram 10,5 mil.

É provável, portanto, que a soma dessas mortes ainda seja um pouco maior, beirando os 300 mil. Mas a chance da pandemia ultrapassar já nos próximos dias a mortandade provocada pelo HIV é certa.

Para entender como chegamos a esse ponto, primeiro é preciso entender as naturezas distintas das duas viroses, diz Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz. A Covid é uma virose aguda, a Aids, crônica -e para doenças assim não há vacinas, embora remédios antivirais funcionem melhor.

“Isso explica por que os tratamentos medicamentosos [contra o coronavírus] são tão frustrantes até agora, como sói ser nas demais viroses”, afirma Dalcomo. “A Aids hoje é uma doença crônica com a qual a pessoa vive perfeitamente, vida normal.”
O coronavírus que se alastrou pelo mundo em 2020 tem três vezes o tamanho do vírus do HIV e duas vezes o da influenza. Produz muitas proteínas, e “essa composição o torna muito especial”, diz a pesquisadora. “Não é grandemente mutante, mas, como se trata de epidemia muito longa, foi capaz de centenas de mutações. Não é a natureza do vírus, foi a maneira como ele se disseminou.”

Com as viroses agudas, como sarampo, caxumba e agora a Covid, a melhor estratégia é uma boa campanha de vacinação, segundo a pneumologista. O Brasil ainda patina nessa área.

Professor do Departamento de Medicina Preventiva da USP, André Mota aponta que toda pandemia possui um caminho epidemiológico: identificação, velocidade de contágio, ações de controle e prevenção. “A Aids teve, no caso brasileiro, rapidamente uma ação de políticas públicas voltadas para cada um desses elementos. Mesmo com todo o duro percurso, quando chegaram os retrovirais em 1996 já havia todo um caminho percorrido.”
No caso da Covid-19, a rapidez de contágio e letalidade exigia políticas públicas igualmente ligeiras, “coordenadas centralmente pelo governo federal, estadual e municipal”, diz Mota. “Mas não houve.”

A crise sanitária que se desenhava era zero discreta, mas não ganhou a devida atenção, afirma o professor. “Quiseram trilhar pela ausência de ações tecnológicas conhecidas e que poderiam fazer toda a diferença. O resultado foi o colapso nacional do sistema hospitalar e de saúde em várias instâncias, além de uma população num tiroteio de informações contraditórias.”

Para Mota, o quadro se agravou ainda mais com o déficit de medidas preventivas. “Ônibus, trens e metros lotados são uma ponta deste iceberg. Finalmente, restou como saída a vacinação em massa, que não ocorreu, porque não houve vontade política. Perdemos a batalha e grande parte da guerra. Não há mais tempo pois, as mortes já foram registradas. A ação atual, na minha visão, é a de redução de danos.”

Thomas Conti, cientista de dados e professor do Insper, destacou no Twitter a ultrapassagem da Covid como epidemia mais mortífera no país. “Nunca foi uma gripe”, disse, em alusão à fala do presidente Jair Bolsonaro de que a doença seria apenas uma “gripezinha”.

“Infelizmente, o movimento foi quase sempre o contrário”, diz Mota, da Faculdade de Medicina da USP. “A comunicação que dizia ser uma gripezinha, a promoção de aglomeração e não uso de máscara, a indicação de remédios sem comprovação para a doença, nenhuma política vacinal de fato e, finalmente, toda uma retórica que dizia ser uma atitude de maricas, negando o impacto das mortes. Enfim, a maior tragédia sanitária da história do país.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

#PUBLICIDADE#

Mais Lidas

Polícial Rodoviária Federal morre em Cabedelo

A policial rodoviária federal Renata Maia Pimenta, de 42 anos, morreu na noite desta sexta-feira (20) no prédio onde...

DATAVOX: João Azevêdo lidera com 40,7% das intenções de voto na 1ª pesquisa para governo da PB em 2022

Realizada em parceria entre o Instituto Datavox e o portal PB Agora, a pesquisa aponta o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) em segundo lugar, com 14,2%. Em seguida vem o senador Veneziano Vital (MDB), com 6,6%, o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) com 5,9%, Nilvan Ferreira (PTB) com 3,2% e a vice-governadora do estado, Lígia Feliciano (PDT) com 1%. Indecisos somam 20,3%, enquanto brancos e nulos representam 8,1%.

Palco desaba e deixa formandos de medicina feridos na Grande João Pessoa

Duas  pessoas  foram socorridas com traumatismo craniano encefálico (TCE) após parte da estrutura de um palco desabar, no final da tarde deste sábado (21),...

15 possíveis temas de redação para o Enem 2022

O Portal Nacional da Educação divulgou uma lista com os possíveis temas de redação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),...

ENQUETE F5: Se as eleições fossem hoje Pedro Cunha Lima seria o novo governador da Paraíba

O programa F5 da Rádio POP FM realizou uma enquete com os ouvintes e expectadores que acompanharam a transmissão pelo YouTube da edição desta...
#PUBLICIDADE#

ACHAMOS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

#PUBLICIDADE#