Energia da cana-de-açúcar ajuda a abastecer a Paraíba e reforça segurança do sistema elétrico
15/04/2026 / 11:03
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Além da energia solar e eólica, a Paraíba também vem ampliando outra fonte renovável: a energia gerada a partir da cana-de-açúcar. Produzida a partir do bagaço e da palha da cana, a chamada bioeletricidade tem papel estratégico na matriz elétrica do estado, especialmente por garantir fornecimento contínuo de energia.

Atualmente, as usinas sucroenergéticas associadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool) somam cerca de 102 MW de capacidade instalada em bioeletricidade, o que representa aproximadamente 2% do consumo elétrico estadual. Isso daria para abastecer cerca de 300 mil residências. Esse volume posiciona a Paraíba como um polo relevante na produção de bioenergia no Nordeste.

Diferentemente de fontes como a solar e a eólica, que dependem das condições climáticas, a bioeletricidade é considerada uma fonte firme e despachável, ou seja, pode ser gerada de forma contínua e acionada conforme a necessidade do sistema. Esse diferencial contribui diretamente para a segurança e a estabilidade do fornecimento de energia no estado.

A produção está concentrada na Zona da Mata paraibana, onde operam as usinas associadas ao Sindalcool. Essas unidades utilizam resíduos da cana-de-açúcar (como o bagaço e a palha) para gerar energia limpa e renovável, aproveitando integralmente a matéria-prima.

Entre os principais empreendimentos estão as usinas Giasa II, Japungu, Monte Alegre, Tabu e Miriri, todas em operação e contribuindo diretamente para o abastecimento energético da Paraíba.

Além da importância energética, o setor sucroenergético tem forte impacto na economia estadual. As usinas associadas geram cerca de 20 mil empregos diretos e aproximadamente 60 mil indiretos, alcançando mais de 30 municípios produtores de cana e movimentando diferentes cadeias produtivas. O setor também responde por cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) da Paraíba e movimenta aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano.

No campo ambiental, a bioeletricidade contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao substituir fontes fósseis como diesel, gás natural e carvão. 

Em paralelo, o uso do etanol produzido no estado evitou a emissão de cerca de 505 mil toneladas de CO₂ em 2025, reforçando o papel do setor na transição energética.

O potencial de crescimento da bioenergia também é significativo. A projeção do Sindalcool é de uma expansão de até 25% na capacidade instalada até 2030, podendo alcançar cerca de 127 MW, ampliando ainda mais a participação da biomassa na matriz elétrica estadual.

As usinas geram energia e empregos, contudo, a remuneração do megawatt é considerada muito baixa, em vista dos custos de produção. Outras formas de geração termelétricas tem volume de emissões de gases de efeito estufa elevado.  A cogeração de energia (cogen) baseada no bagaço e palha de cana-de-açúcar é uma tecnologia consolidada no Brasil, essencial para a bioeletricidade, especialmente com o retrofit de caldeiras e turbinas para aumentar a eficiência energética. O processo transforma o resíduo da cana em energia elétrica e térmica (vapor) com baixo impacto ambiental, atingindo alta eficiência no ciclo a vapor.  Quando você abastece com etanol está também contribuindo para a geração de energia elétrica do bagaço”, destacou Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool. 

Retrofit e Modernização em Usinas:

  • Caldeiras de Alta Pressão: O retrofit envolve a substituição de caldeiras antigas de baixa pressão (ex: 21 bar) por caldeiras de alta pressão (65 bar, 100 bar ou mais), aumentando a eficiência e o vapor gerado por tonelada de cana.
  • Turbinas de Contra-pressão: A modernização das turbinas permite maior produção de energia mecânica e elétrica para o processo industrial da usina e para exportação para a rede.
  • Aumento de Eficiência: A transição tecnológica pode dobrar a geração de energia elétrica a partir do bagaço.
  • Exemplo de impacto: A modernização com caldeiras de 44bar/430°C e caldeiras de 90bar aumentou significativamente a exportação de energia elétrica. 

          Benefícios da Cogeração a Bagaço:

  • Sustentabilidade: Redução de emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), com a queima do bagaço substituindo combustíveis fósseis.
  • Alta Disponibilidade: A queima é contínua durante a safra, fornecendo energia firme.
  • Aproveitamento de Resíduos: O bagaço representa cerca de 280 kg por tonelada de cana processada, sendo uma fonte de biomassa renovável.
  • Custo-benefício: Projetos de cogeração com biomassa têm custos de investimento competitivos por MW, especialmente com o retrofit de tecnologias existentes. 

Números Chave:

  • Produção de energia: Pode superar 98 kWh por tonelada de cana processada com alta pressão (100 bar). Esse é o objetivo, as usinas buscam elevar a eficiência energética.
  • Eficiência: A modernização da cogeração no setor sucroalcooleiro é considerada uma das principais alternativas para crises energéticas. 

Brasil avança com matriz majoritariamente renovável e reforça papel da biomassa

No cenário nacional, o Brasil se destaca por ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 85% da capacidade instalada proveniente de fontes renováveis.

Dentro desse contexto, a biomassa, especialmente a gerada a partir da cana-de-açúcar, ocupa um papel relevante, com 17.856 MW de capacidade instalada no país. Essa fonte se diferencia por sua capacidade de geração contínua e controlável, funcionando como suporte essencial para equilibrar a intermitência de fontes como a solar e a eólica.

Esse papel estratégico reforça a importância do setor sucroenergético na garantia de um sistema elétrico mais seguro, sustentável e eficiente no Brasil.