Inflação na Argentina avança 3,4% em março de 2025
15/04/2026 / 08:00
Compartilhe:
Foto: REUTERS/Irina Dambrauskas

A inflação na Argentina acelerou para 3,4% em março de 2025, conforme dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O índice de preços ao consumidor (IPC) registrou o maior nível mensal em um ano, superando os 2,9% de fevereiro.

O Indec também mostrou que a inflação acumulada em 12 meses até março recuou para 32,6%, ante 33,1% no mês anterior. Setores como educação, que teve alta de 12,1%, e transporte, com 4,1%, lideraram os maiores aumentos de preços em março, seguidos por habitação, água, eletricidade, gás e combustíveis (3,7%), recreação e cultura (3,6%), restaurantes e hotéis (3,4%) e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,4%).

Contexto econômico e ajustes em 2025

O atual cenário inflacionário ocorre em meio a um ajuste econômico implementado pelo presidente Javier Milei desde 2023. Após assumir o governo, Milei promoveu cortes em investimentos federais, suspendendo repasses aos estados, e eliminou subsídios em tarifas básicas como água, gás, eletricidade e transporte público, gerando pressão sobre os preços ao consumidor.

Apesar da recessão econômica prolongada, houve uma redução significativa da pobreza durante 2025, com o percentual da população em situação de pobreza diminuindo para 28,2%, o menor nível em sete anos. O governo também alcançou superávits fiscais e retomou a confiança de parte dos investidores internacionais.

Impacto da crise política e medidas cambiais

No terceiro trimestre de 2025, uma crise política envolvendo Karina Milei, irmã e secretária-geral da Presidência, e investigações por corrupção, impactaram negativamente a confiança no governo e os mercados financeiros. Na sequência das eleições provinciais em setembro, o peso atingiu valores recordes de desvalorização, chegando a ser cotado a 1.451,50 por dólar até o final do ano, refletindo uma queda de quase 40% no valor frente ao dólar.

Para conter esses efeitos, o governo argentino recebeu apoio dos Estados Unidos por meio de um acordo de swap cambial no valor de US$ 20 bilhões, ampliado para US$ 40 bilhões com incentivos adicionais. Essa ajuda financeira foi anunciada em 20 de outubro de 2025 e teve como objetivo aumentar as reservas em dólares e estabilizar a moeda local.

Acordos econômicos e esforços para controlar a inflação

Em abril de 2025, Milei firmou acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que liberou uma primeira parcela de US$ 12 bilhões poucos dias depois. Com isso, o Banco Central flexibilizou os controles cambiais e adotou o câmbio flutuante para o peso argentino.

Nos meses seguintes, o governo lançou uma série de medidas para fortalecer a economia, incluindo liberação do uso de dólares mantidos fora do sistema financeiro e planos para captar US$ 2 bilhões via emissão de títulos públicos. Também houve intervenção direta do Tesouro Nacional no mercado de câmbio para evitar desvalorizações abruptas.

O desafio principal para o governo é reduzir a inflação mensal para abaixo de 2%, meta considerada fundamental para garantir a continuidade das reformas estruturais e a atração de investimentos no país.