Lula diz que relação com Trump pode evitar novas tarifas
17/05/2026 / 09:28
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Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista ao jornal americano The Washington Post publicada no domingo (17) que a boa relação pessoal com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode impedir a imposição de novas tarifas comerciais ao Brasil. Lula destacou que, apesar das divergências políticas, como sua oposição à guerra com o Irã e discordância sobre intervenções na América Latina, a relação entre os dois como chefes de Estado é mantida com respeito.

Essa entrevista ocorre no contexto político internacional em que as relações entre Brasil e Estados Unidos passaram por mudanças significativas com a eleição de Lula, que sucedeu Jair Bolsonaro. A postura de Lula, expressa pela primeira vez em entrevista desde o encontro ocorrido na Casa Branca em 7 de maio, contrasta com o alinhamento mais ideológico e próximo de Trump que Bolsonaro apresentava.

Durante a conversa com o jornal, Lula reforçou que deseja que os Estados Unidos tratem o Brasil com respeito e não esperam submissão a decisões norte-americanas. Ele considera fundamental que Washington veja a América Latina como uma parceira, defendendo a retirada das sanções contra Cuba e o fim de intervenções como a ocorrida na Venezuela.

Além disso, o presidente ressaltou o impacto econômico das relações comerciais com a China, cujo comércio bilateral é atualmente o dobro das trocas com os Estados Unidos. Segundo ele, para que os EUA avancem nas relações comerciais com o Brasil, é necessário que demonstrem interesse explícito.

Em relação à comparação com seu antecessor, Lula afirmou que não precisa esforço para que Trump reconheça que sua gestão é melhor que a de Bolsonaro, referindo-se a isso como um fato natural. Ele também destacou a importância de não misturar diferenças políticas com a relação diplomática.

Com essa declaração, Lula sinaliza a intenção de manter um equilíbrio entre as relações diplomáticas e comerciais, buscando uma negociação que preserve os interesses do Brasil sem abrir mão da soberania em relação às decisões externas norte-americanas.