Correios registram prejuízo de R$ 3,4 bi no 1º trimestre de 2026
28/04/2026 / 15:21
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Foto: Reprodução

Os Correios registraram um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do balancete contábil da estatal obtidos com exclusividade pelo g1. O balancete é um demonstrativo provisório que mostra as receitas, despesas, bens e dívidas de uma empresa até determinado período, geralmente mensal ou trimestral. Até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia divulgado oficialmente esses números.

Em 2025, os Correios já haviam anunciado um prejuízo total de R$ 8,5 bilhões, acumulando 14 trimestres consecutivos com resultados negativos. Esse valor mais que triplicou em relação ao prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024, indicando um agravamento da crise financeira da estatal.

No primeiro trimestre de 2026, as receitas foram praticamente estáveis, passando de R$ 4,1 bilhões em 2025 para R$ 4 bilhões. Entretanto, as despesas aumentaram significativamente, subindo de R$ 6,4 bilhões para R$ 7,4 bilhões no mesmo período. Apesar disso, os gastos ficaram abaixo do previsto pelo departamento financeiro, que estimava R$ 7,6 bilhões para o trimestre. O controle de despesas foi observado principalmente nos gastos com funcionários, que tiveram um aumento de apenas R$ 80 milhões, de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,6 bilhões.

Elevadas despesas financeiras e provisões

O aumento do prejuízo foi impulsionado principalmente pelas despesas financeiras e provisões, que incluem perdas judiciais que poderão se tornar precatórios. As despesas financeiras tiveram um salto de 312%, subindo de R$ 224 milhões para R$ 925 milhões no primeiro trimestre de 2026. Esses custos correspondem a juros e multas relacionados a contratos, boletos e empréstimos, incluindo um montante de R$ 12 bilhões tomado pela estatal no final de 2025, cujo custo total de juros está previsto em R$ 22,4 bilhões.

As provisões para perdas também cresceram, atingindo R$ 1,4 bilhão, acima da previsão inicial de R$ 1,2 bilhão e 66,7% maior do que as despesas desse tipo em 2025, que somaram R$ 834 milhões.

Receitas e impacto do programa Remessa Conforme

As receitas com serviços e vendas se mantiveram estáveis, com pequeno recuo de R$ 84 milhões entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. A queda mais significativa ocorreu nas receitas com encomendas internacionais, que caíram 60,3%, diminuindo de R$ 393 milhões para R$ 156 milhões. Essa redução reflete o impacto do programa Remessa Conforme, implementado pelo governo federal em 2023, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, antes isentas.

Em 2024, as receitas com encomendas internacionais já haviam reduzido em R$ 530 milhões em relação a 2023, caindo para R$ 3,9 bilhões. Em 2025, despencaram para R$ 1,3 bilhão, representando apenas 7,8% da receita total da estatal, ante 22% em 2023.

Além disso, os Correios registraram queda de 5,4% nas receitas com encomendas gerais, mas houve crescimento em outras áreas, como serviços de logística, que subiram de R$ 103 milhões para R$ 258 milhões, e serviços de conveniência, que tiveram aumento de 56%, alcançando R$ 50,9 milhões. Receitas com malotes e mensagens também cresceram, respectivamente 19,2% e 11,4%, chegando a R$ 124,8 milhões no caso das mensagens.

Esses dados ilustram o desafio financeiro enfrentado pelos Correios, com receitas em queda em segmentos importantes e despesas em alta, especialmente aquelas vinculadas ao endividamento e às provisões para perdas judiciais.