Esteira com IA detecta sinais precoces de Alzheimer e Parkinson
15/04/2026 / 15:04
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Foto: Reprodução

Cientistas da Universidade de Caen, na França, desenvolveram uma esteira conectada que utiliza inteligência artificial para detectar sinais precoces de transtornos neurodegenerativos, como Alzheimer e Parkinson. O equipamento faz parte do projeto Présage, lançado em 2019 no laboratório de realidade virtual da universidade, e combina tecnologia de realidade virtual, matemática e IA para identificar marcadores motores e cognitivos.

No contexto dos avanços em diagnósticos de doenças neurodegenerativas, essa inovação destaca-se pela capacidade de captar alterações sutis no sistema locomotor que indicam risco para essas patologias. O projeto é coordenado pela neurocientista Leslie Decker, que explica que a esteira avalia o ritmo do paciente, utilizando plataformas de força para medir a força de reação do solo e o equilíbrio dinâmico. A esteira também pode inclinar-se em diferentes direções, aumentando a complexidade do teste para integração motora e cognitiva.

Funcionamento e avaliação do paciente

Durante o exame, o paciente caminha na esteira e realiza tarefas cognitivas, como identificar cores ou ler palavras, enquanto seu movimento é avaliado. O sistema coleta dados que indicam o nível de equilíbrio, ritmo da marcha e resposta cognitiva simultânea. Esses dados são processados por modelos matemáticos e algoritmos de inteligência artificial, que identificam perfis locomotores associados ao risco cognitivo motor (MCR), uma condição que pode triplicar a probabilidade de desenvolvimento de transtornos neurocognitivos graves.

Mais de cem pacientes entre 55 e 87 anos já participaram dos testes, e cerca de 20 apresentaram a síndrome MCR. A análise inclui variáveis como ângulos articulares, tempo de reação e gravação da voz, possibilitando uma avaliação detalhada da reserva cognitiva e das funções motoras. Os pesquisadores destacam que essa abordagem permite detectar precocemente os pacientes com maior risco de doenças graves.

Perspectivas para uso clínico e prevenção

A tecnologia está em fase de adaptação pela startup francesa a-gO, que desenvolveu um sistema com três iPhones para captar os movimentos durante a caminhada em esteira, criando um modelo tridimensional da marcha. O objetivo é disponibilizar o dispositivo em consultórios médicos e hospitais para monitorar e identificar riscos de doenças neurodegenerativas de forma rápida e acessível.

Alexandre Dalibot, um dos fundadores da empresa, afirma que a ferramenta pode ajudar a traçar perfis de risco e orientar medidas preventivas e terapêuticas personalizadas. A expectativa é que o sistema comece a ser testado em hospitais ainda este ano e alcance o uso clínico em até dois anos, contribuindo para a detecção precoce e redução do impacto das doenças associadas ao envelhecimento.