
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, buscou apoio financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do pai. As negociações foram reveladas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, que teve acesso a mensagens e um áudio enviado por Flávio a Vorcaro em setembro de 2025.
De acordo com o Intercept, Vorcaro investiu R$ 61 milhões na produção do filme entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente. A operação ocorre em um momento delicado, com a rejeição da compra do Banco Master pelo BRB em 3 de setembro de 2025, dificultando a situação financeira de Vorcaro.
No áudio enviado em 8 de setembro, Flávio demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos e a repercussão negativa para o filme, afirmando compreender o “momento dificílimo” do banqueiro, mas solicitando um posicionamento sobre as parcelas pendentes. Em 22 de outubro, o senador reforça que estavam “no limite” e convida Vorcaro para um jantar com o ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no longa.
As conversas entre os dois também ocorreram por ligações e mensagens com visualização única. Em 16 de novembro, Flávio enviou uma mensagem afirmando: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. Vorcaro respondeu com uma mensagem de visualização única e Flávio respondeu “Amém”.
No dia seguinte, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao embarcar em Guarulhos. A operação marcou o início de uma investigação sobre uma rede envolvendo fraudes, corrupção de servidores públicos e o uso de uma “milícia privada” para intimidar opositores. A TV Globo confirmou a existência do áudio e a veracidade das informações com investigadores e fontes próximas ao caso.
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre o tema ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), mas limitou-se a afirmar que se tratava de “dinheiro privado”.