Novo programa Desenrola 2.0 quer renegociar dívidas de brasileiros
07/05/2026 / 09:41
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Foto: Reprodução

O Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal em 4 de março de 2024, tem como objetivo reduzir os débitos atrasados e limpar o nome de milhões de brasileiros. A iniciativa prevê descontos que variam entre 30% e 90%, dependendo do tipo de dívida, e é destinada a trabalhadores com renda mensal de até R$ 8.105.

Historicamente, o endividamento no Brasil é consequência do fácil acesso a crédito com juros elevados, da ausência de educação financeira e do impacto emocional que a dívida provoca. Especialistas alertam que programas como o Desenrola 2.0 têm efeitos imediatos, mas não solucionam os problemas estruturais da inadimplência no país. A planejadora financeira Myrian Lund destaca que o excesso de crédito disponível é uma questão central e defende que a iniciativa seja acompanhada por ações de educação financeira para garantir resultados mais duradouros.

O empresário Delano Zonta, que acumulou mais de R$ 230 mil em dívidas, compartilhou sua experiência para ilustrar os desafios enfrentados por quem está endividado. Após ganhar R$ 35 mil na loteria quando tinha apenas R$ 42 na conta, ele pagou parte das dívidas, mas ainda ficou com mais de R$ 216 mil em débitos. A partir de então, passou cerca de quatro anos se reorganizando financeiramente com ajuda da família e de estudos sobre finanças, conseguindo quitar todas as parcelas em janeiro de 2020.

O coordenador do curso de ciências contábeis da Unicid, Wagner Pagliato, comenta que o endividamento crônico está ligado não apenas a questões financeiras, mas também a comportamentais e emocionais, afetando desde hábitos de consumo até a saúde mental. Casos de imprevistos, como doenças e perdas de renda, podem agravar a situação. Um exemplo é o de Fernanda, que teve empréstimos contratados fraudulentamente em seu nome após ter o celular roubado, aumentando sua dívida para mais de R$ 112 mil e considerando aderir ao Desenrola 2.0 para resolver seu problema.

Outra história é a da secretária Tatiana, cujo endividamento se agravou após um relacionamento que gerou gastos e empréstimos não planejados. Ela relata que, mesmo com dificuldades, o acesso fácil ao crédito continuou, o que exacerbava a situação.

Para especialistas, o primeiro passo para sair do endividamento é realizar um diagnóstico financeiro detalhado, mapeando dívidas e renda disponível. É recomendado priorizar o pagamento dos débitos com juros mais altos e ajustar os hábitos de consumo. A planejadora financeira Mônica Cardoso enfatiza que mudar comportamentos financeiros exige tempo e dedicação, e o apoio profissional pode ser fundamental para negociar com segurança e definir o melhor momento para quitar as dívidas. A responsável pelo curso da Unicid alerta que é necessário uma economia rigorosa, pois a solução exige esforço contínuo e não ocorre de maneira rápida ou automática.

O programa Desenrola 2.0 representa uma tentativa do governo de reduzir a inadimplência no país, mas especialistas concordam que seu sucesso depende de medidas complementares para enfrentar as causas profundas do endividamento no Brasil.