
A nova visão da saúde feminina: ginecologista e obstetra, Dr. Guilherme Carvalho detalha o tratamento integral na Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)
Nesta semana, a comunidade médica global anunciou um marco histórico na saúde da mulher: a conhecida Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Essa mudança, muito além de uma simples nomenclatura, é um reconhecimento fundamental de que a condição afeta o corpo de forma multissistêmica. Como alerta o novo consenso global, publicado na revista médica The Lancet, o termo antigo era inexato e reduzia o problema aos cistos ovarianos, mascarando fatores endócrinos e metabólicos cruciais, como os riscos de resistência à insulina e problemas cardiovasculares.
O novo nome reconhece que o comprometimento ovariano continua sendo uma característica central da doença, porém enxerga o papel da resistência à insulina, presente em 85% das pacientes, e a associação com obesidade, dislipidemia, diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa e risco cardiovascular aumentado. Também chama a atenção para o envolvimento de múltiplos hormônios: insulina, androgênios e o eixo hipotálamo-hipófise-ovário “O impacto clínico é direto: melhor reconhecimento dos riscos metabólicos, abordagem multidisciplinar mais adequada e diagnóstico mais precoce para os 70% de mulheres que ainda permanecem sem diagnóstico”, destaca Dr. Guilherme Carvalho, ginecologista, obstetra, especialista em Reprodução Humana e CEO do Instituto de Saúde Integrada da Mulher – Instituto Sim.
A fertilidade também entra em pauta, uma vez que a SOMP é uma das principais causas de anovulação (falta de ovulação), o que pode dificultar o sonho da maternidade para muitas pacientes. Com um diagnóstico preciso e precoce, que é justamente o que o novo consenso busca facilitar, é possível traçar as melhores estratégias terapêuticas. “Seja por meio de adequações no estilo de vida, controle metabólico ou técnicas avançadas de reprodução assistida, é possível devolver a essas mulheres com esse diagnóstico não apenas a sua fertilidade, mas também a qualidade de vida. Até bem recentemente achava-se que a mulher com a antiga SOP e atual SOMP não poderia engravidar, mas isso é um mito. O que se sabe hoje é que para que ela tenha uma gravidez saudável, tanto para ela quanto para o bebê, o acompanhamento precisa ser multidisciplinar e de preferência antes da gestação”, alerta.
O tratamento integrado e humanizado como prioridade – “A alteração do nome da síndrome reforça o que quem é pesquisador do tema já tem conhecimento e já aplicamos no consultório: a compreensão de que a paciente não pode ser vista de forma fragmentada. A SOMP afeta cerca de 170 milhões de mulheres no mundo e exige um olhar clínico aguçado. Ao avaliar sintomas como a irregularidade menstrual, o aumento de hormônios masculinos e as alterações metabólicas, não devemos tratar o sintoma de maneira isolada, mas sim a mulher como um todo, promovendo saúde, bem-estar e acolhimento. Essa mudança veio para oficializar para toda a classe médica do mundo que esse tratamento precisa ser feito de maneira multidisciplinar”, explica o médico.
