Casos de AVC aumentam entre jovens no Brasil
18/04/2026 / 08:17
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O aumento dos casos de AVC entre jovens no Brasil tem chamado a atenção de autoridades de saúde. Eduardo Guerra, de 30 anos, sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico, um tipo caracterizado pela obstrução de vasos sanguíneos no cérebro. Ele relatou que, antes do diagnóstico, apresentou uma dor de cabeça fora do padrão, algo diferente das enxaquecas habituais, mas acabou liberado com analgesia. Dois dias depois, teve novamente sintomas mais graves, confirmando o AVC.

Historicamente ligado ao envelhecimento, o AVC tem registrado uma elevação significativa entre adultos jovens. Segundo dados recentes, a incidência desse tipo de AVC aumentou 66% entre pessoas com menos de 45 anos na última década. Somente nos primeiros três meses deste ano, mais de 20 mil mortes foram registradas no país em decorrência do AVC.

Sintomas e diagnóstico precoce

Eduardo teve sintomas iniciais típicos, como dor de cabeça intensa e aura visual, além de perda temporária de visão, audição e força nos braços. Após internação na Unidade de Terapia Intensiva por cinco dias, exames revelaram uma síndrome da vasoconstrição cerebral reversa, condição que provoca espasmos súbitos nas artérias cerebrais e reduz o fluxo sanguíneo. Ele também já havia sofrido um AVC anterior, provavelmente sem diagnóstico na época.

Fatores que influenciam o aumento entre jovens

O neurocirurgião Orlando Maia relaciona o crescimento dos casos entre adultos jovens a fatores de estilo de vida e genéticos. “Temos observado aumento no uso de hormônios anabolizantes, o que é um fator de risco”, explica. Além disso, estresse crônico, má alimentação e privação do sono têm antecipado o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes, que são fatores de risco importantes para o AVC.

Importância do reconhecimento dos sinais

Segundo especialistas, a rapidez no reconhecimento dos sintomas e no atendimento é fundamental para evitar sequelas graves. O AVC apresenta sinais súbitos, como fraqueza ou dormência de um lado do corpo, dificuldade na fala, dor de cabeça intensa e fora do padrão, alterações na visão ou audição e perda de equilíbrio.
O médico destaca que a dor de cabeça relacionada ao AVC é aguda desde o início, não progressiva. O teste SAMU, que observa a simetria do sorriso, elevação dos braços e qualidade da fala, ajuda a identificar situações que requerem atendimento imediato.

Eduardo enfatiza a importância de buscar ajuda ao perceber sintomas diferentes. “É muito comum as pessoas automedicarem dores de cabeça, mas uma dor fora do normal pode indicar algo grave”, alerta.