
Vale, uma das maiores produtoras globais de minério de ferro, anunciou nesta terça-feira (28) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 36% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas de analistas, que previam US$ 2 bilhões, conforme dados da LSEG.
Este desempenho ocorre em um cenário de alta dos preços das commodities e crescimento no volume de vendas, aspectos que influenciam diretamente a economia global, especialmente em países com forte produção mineral. Historicamente, a Vale tem mantido estratégias de otimização operacional para garantir competitividade e respondido às flutuações de mercado por meio de ajustes em seus investimentos.
Entre janeiro e março, a mineradora registrou aumento de 3,9% no volume de vendas de minério de ferro, totalizando 68,7 milhões de toneladas. O preço médio do minério também subiu 5,5% no trimestre. Esses fatores contribuíram para que o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingisse US$ 3,83 bilhões, crescimento de 23% em relação ao ano anterior.
A receita líquida da Vale no trimestre avançou 14%, alcançando US$ 9,26 bilhões, impulsionada pelo crescimento nas vendas de níquel e cobre. Segundo o CEO Gustavo Pimenta, “entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio.”
Entre os destaques, a operação S11D, no Pará, registrou a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre. O CEO ressaltou que o portfólio flexível permitiu capturar oportunidades dentro de um mercado robusto, mantendo foco na eficiência de custos.
O custo caixa C1 do minério de ferro subiu 12% na comparação anual, chegando a US$ 23,6 por tonelada, influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar. Já os custos all-in ficaram em US$ 55,4 por tonelada, aumento de 8% ano a ano.
No segmento de metais básicos, que engloba níquel e cobre, a mineradora destacou resultados positivos nas iniciativas de otimização de ativos, o que gerou maior produção e redução de custos.
A Vale também divulgou um fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões, alta de US$ 309 milhões frente ao primeiro trimestre de 2025. Entretanto, a dívida líquida expandida aumentou para US$ 17,8 bilhões ao final do período, principalmente devido ao pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
Os investimentos totalizaram US$ 1,09 bilhão no trimestre, retração de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas alinhados à projeção anual da empresa, que estima entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões para 2026. Os recursos destinados a projetos de crescimento foram de US$ 182 milhões, queda de 42%, reflexo do estágio avançado de obras como o projeto Serra Sul +20, que já está 86% concluído e tem previsão de iniciar operações no segundo semestre de 2026.
Já os investimentos para manutenção aumentaram 5%, somando US$ 907 milhões, com foco em projetos como o cobre Bacaba e melhorias nas operações de pelotização e ferrovia.